Sair do parque antes do previsto significou seguir a viagem sozinha. Os meninos só voltariam do parque na segunda, e não queria esperar 4 dias em Puerto Natales, onde não há nada pra fazer.
Uma das muitas vantagens de estar sozinha é ter total liberdade para mudar de planos a hora que eu bem entender.
Chegando a Puerto Natales decidi resolver de uma vez por todas uma coceirinha com que estava há alguns dias.
O casal ítalo-português me havia dito de uma viagem de barco de Puerto Natales a Puerto Montt, também no Chile. Conheci um americano e um australiano que também fizeram a viagem e indicaram. Me custaria 300 dólares, 3 dias e 3 noites, refeições inclusas e paisagens supostamente lindas. Resolvi fazer.
Vim pra El Calafate hoje, domingo, e estou hospedada num albergue baratíssimo, onde conheci três colombianos super gente boa. As últimas 5 horas estive com eles, compartilhando informações de lugares onde já estiveram.
Um argentino que também está hospedado aqui gentilmente me ofereceu um jantar (pois tinha cozinhado muita comida pra ele só), e assim, jantei sopa de cordeiro com batata e cenoura.
Eu descobri que não tenho muito problema de socialização.
Acho que vou ficar bem por conta própria :)
Blog criado com o intuito de manter os meus atualizados e tranquilos quanto ao meu paradeiro e minhas experiências.
Meu destino desfocado
América Latina
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Mi rodilla derecha
Dormir em um saco de dormir não tem sido uma tarefa fácil pra mim.
Mesmo tendo alugado um saco que suporta temperaturas de até -15 graus, ter que restringir o espaço do meu corpo ao saco não é fácil, uma vez que estou acostumada a dormir de barriga pra baixo, com as mãos debaixo da minha cabeça, esta sempre virada pra direita. O saco não me dá essa liberdade, pois o vento que entra pela barraca me obriga a fechá-lo até em cima, e colocar o capuz, que cobre todo o meu rosto. Acordei algumas vezes à noite para encontrar uma posição melhor, e senti meu joelho direito doer.
Durante a caminhada do dia anterior houve um momento em que parei, e ao parar, com as pernas esticadas, meu joelho direito foi muito pra trás. Senti uma dorzinha na hora, mas continuei andando.
Mathieu havia posto seu despertador para as 7 horas, para vermos o nascer do sol das Torres. O frio nos fez enrolar mais e quando iniciamos a caminhada, o sol já havia raiado. De qualquer maneira, queríamos chegar ao mirador, e começamos caminhada montanha acima. Foi a primeira vez na minha vida em que assim que acordei fui subir montanha (e provavelmente a única).
Dessa vez carregava apenas uma mochila pequena com água, amendoim e barra de cereal, mas mesmo assim, estava muito pesado pra mim. Eu tinha que fazer muita força nas pernas para subir e sentia meu joelho direito doer cada vez mais. As cores das montanhas no início do dia formavam uma paisagem inegualável, e eu quis chorar quando me dei conta que a minha máquina não ligava.
Eu tinha combinado com Mathieu de usarmos uma câmera por vez, para economizar bateria, já que estaríamos cinco dias sem eletricidade. Nós dois pusemos as baterias para carregar na noite anterior, e verificamos se estavam carregadas - e estavam, as duas câmeras.
Quando cheguei num ponto onde havia árvores com folhas avermelhadas ao lado de outras com folhas alaranjadas, amarelas e verde, e detrás uma montanha com neve no topo, quis bater uma foto (Mathieu já estava alguns quilómetros na minha frente). Tirei a máquina da capa e... NADA. Quase chorei.
Superando essa frustraçào, continuei subindo. Depois de pouco mais de uma hora cheguei ao mirador das Torres del Paine e vi as 3 torres, descobertas de nuvem (o que dizem que é raríssimo). Mathieu estava lá em cima e tiramos algumas fotos juntos, ele tirou várias da paisagem com a câmera dele, mas não sei quando poderei compartilhar, já que agora não devo encontrá-lo mais.
Assim, coloco duas fotos que achei na Internet, só para ilustrar
Depois de algum tempo no mirador, descemos até perto do lago e tiramos mais algumas fotos. O ventinho frio nos fez voltar ao acampamento e tomar um café da manhã reforçado para o dia longo de trekking que teríamos pela frente.
Minha descida foi tão difícil quanto a subida, porque meu joelho doía muito. Quando cheguei ao acampamento conversei com Mathieu e disse que não sabia se continuaria nos próximos dias.
Já passava das 10 da manhã e só há um ônibus por dia para voltar a Puerto Natales, que sai às 14:30. Não teríamos tempo de desarmar a barraca e voltar a Laguna Amarga a tempo de pegar o ônibus.
Mathieu se mostrou um grande companheiro ao propor que ficássemos ali mais um dia. Assim eu poderia descansar o joelho e ver se no dia seguinte teria melhorado. Se não, sairia cedo do acampamento, a tempo de pegar o ônibus de volta a Puerto Natales, e foi o que aconteceu,
Ficamos conversando um tempo na barraca e Mathieu saiu para explorar montanhas ao redor. Fiquei dormindo e acordei ouvindo alguém me chamar. Era um dos holandeses que haviam chegado no acampamento, o que foi ideal, já que assim Mathieu não ficaria sozinho depois que eu partisse.
Tivemos uma noite de conversa e uma lata de cerveja a cada um (trazidas pelos holandeses). Despedi-me deles aquela noite e fomos dormir cedo.
Mesmo tendo alugado um saco que suporta temperaturas de até -15 graus, ter que restringir o espaço do meu corpo ao saco não é fácil, uma vez que estou acostumada a dormir de barriga pra baixo, com as mãos debaixo da minha cabeça, esta sempre virada pra direita. O saco não me dá essa liberdade, pois o vento que entra pela barraca me obriga a fechá-lo até em cima, e colocar o capuz, que cobre todo o meu rosto. Acordei algumas vezes à noite para encontrar uma posição melhor, e senti meu joelho direito doer.
Durante a caminhada do dia anterior houve um momento em que parei, e ao parar, com as pernas esticadas, meu joelho direito foi muito pra trás. Senti uma dorzinha na hora, mas continuei andando.
Mathieu havia posto seu despertador para as 7 horas, para vermos o nascer do sol das Torres. O frio nos fez enrolar mais e quando iniciamos a caminhada, o sol já havia raiado. De qualquer maneira, queríamos chegar ao mirador, e começamos caminhada montanha acima. Foi a primeira vez na minha vida em que assim que acordei fui subir montanha (e provavelmente a única).
Dessa vez carregava apenas uma mochila pequena com água, amendoim e barra de cereal, mas mesmo assim, estava muito pesado pra mim. Eu tinha que fazer muita força nas pernas para subir e sentia meu joelho direito doer cada vez mais. As cores das montanhas no início do dia formavam uma paisagem inegualável, e eu quis chorar quando me dei conta que a minha máquina não ligava.
Eu tinha combinado com Mathieu de usarmos uma câmera por vez, para economizar bateria, já que estaríamos cinco dias sem eletricidade. Nós dois pusemos as baterias para carregar na noite anterior, e verificamos se estavam carregadas - e estavam, as duas câmeras.
Quando cheguei num ponto onde havia árvores com folhas avermelhadas ao lado de outras com folhas alaranjadas, amarelas e verde, e detrás uma montanha com neve no topo, quis bater uma foto (Mathieu já estava alguns quilómetros na minha frente). Tirei a máquina da capa e... NADA. Quase chorei.
Superando essa frustraçào, continuei subindo. Depois de pouco mais de uma hora cheguei ao mirador das Torres del Paine e vi as 3 torres, descobertas de nuvem (o que dizem que é raríssimo). Mathieu estava lá em cima e tiramos algumas fotos juntos, ele tirou várias da paisagem com a câmera dele, mas não sei quando poderei compartilhar, já que agora não devo encontrá-lo mais.
Assim, coloco duas fotos que achei na Internet, só para ilustrar
Depois de algum tempo no mirador, descemos até perto do lago e tiramos mais algumas fotos. O ventinho frio nos fez voltar ao acampamento e tomar um café da manhã reforçado para o dia longo de trekking que teríamos pela frente.
Minha descida foi tão difícil quanto a subida, porque meu joelho doía muito. Quando cheguei ao acampamento conversei com Mathieu e disse que não sabia se continuaria nos próximos dias.
Já passava das 10 da manhã e só há um ônibus por dia para voltar a Puerto Natales, que sai às 14:30. Não teríamos tempo de desarmar a barraca e voltar a Laguna Amarga a tempo de pegar o ônibus.
Mathieu se mostrou um grande companheiro ao propor que ficássemos ali mais um dia. Assim eu poderia descansar o joelho e ver se no dia seguinte teria melhorado. Se não, sairia cedo do acampamento, a tempo de pegar o ônibus de volta a Puerto Natales, e foi o que aconteceu,
Ficamos conversando um tempo na barraca e Mathieu saiu para explorar montanhas ao redor. Fiquei dormindo e acordei ouvindo alguém me chamar. Era um dos holandeses que haviam chegado no acampamento, o que foi ideal, já que assim Mathieu não ficaria sozinho depois que eu partisse.
Tivemos uma noite de conversa e uma lata de cerveja a cada um (trazidas pelos holandeses). Despedi-me deles aquela noite e fomos dormir cedo.
Parque Nacional Torres del Paine- Chile
Poderia dizer que nessa vida já fiz muitas coisas que não pensava capaz de fazer. Para ser mais precisa, nos últimos 4 anos tenho experimentado coisas que me provam, dia a dia, que tenho capacidade para fazer tudo que queira, e habilidade, se ainda não a tenho, adquiro com o tempo.
Assim, desde cuidar de uma criança de 3 anos durante um ano a fazer trekking até o Pico das Prateleiras, sei que sou uma possibilidade (lema de minha orientadora da Meta Real, Roseli Masi).
Hoje precisei lembrar disso, pois às vezes as coisas não saem como planejadas.
Depois de descansar um dia em Puerto Natales, fomos, Mathieu e eu, a Torres del Paine. Havíamos combinado com os dois holandeses de passar 5 dias no Parque Nacional, onde faríamos o circuito W, acamparíamos e desfrutaríamos de uma paisagem incrível e muito contato com a natureza.
Seria minha primeira vez acampando na natureza quase virgem. Não ficaríamos em acampamento, propriamente dito, mas em áreas do parque reservadas a camping, sem eletricidade, com água só do rio e sem a mordomia de mercearias por perto.
Assim, no dia anterior à nossa partida, comprei mantimentos para 5 dias. Como não estou comendo carne e tenho consciência da importência da proteína para o corpo, sobretudo quando se faz muito esforço físico, fiz uma breve pesquisa na internet e comprei alguns enlatados, como lentilhas, feijões e atum, além de queijo e leite em pó.
Pensara muito bem no menu para os 5 dias. 3 refeições completas por dia, com frutas e legumes, dando atenção a alimentos energéticos (nada de chocolate, por conta da minha promessa).
Aluguei uma calça de montanhismo grossa e um saco de dormir para -15 graus, já que o meu não aguenta tanto frio. Também compramos gás para cozinhar e alugamos uma cocinilla (boca de fogão que se liga ao gás)
Eu estava muito bem preparada para os 5 dias de trekking, mas o Zeca estava pesando uns 18 quilos, ainda que tenha deixado tudo que não precisaria no hostel.
Pegamos um ônibus de manhã e os holandeses não vieram conosco porque Ger acordou doente.
Chegamos ao parque por volta das 10:30 da manhã, pagamos a salgada tarifa de 15 mil pesos chilenos (R$ 50,90) e começamos nossa caminhada. Caminhamos duas horas sem parar, numa superfície ainda plana, pela estrada que vai da entrada de LagunaAmarga até o Hotel Las Torres. 20 minutos de almoço e descanso, e seguimos.
Depois do almoço começamos, então, a subida da montanha até a área onde é permitido acampar. Meu condicionamento físico não é dos melhores, e com aquele peso todo nas costas foi complicado eu manter o otimismo e o pensamento positivo. A todo momento pensava em voltar, em desistir, mas sabia que valeria a pena.
Mathieu, apesar de fumar há muitos anos, tem um fôlego e um ritmo ótimo. Foi subindo na minha frente e nos encontrávamos em algum lugar para descansar por uns instantes. Eu subia 500 metros e parava, com o coração acelerado.
A paisagem era incrível. Lagos verdes e montanhas elegantemente colocadas ao redor, com neve nos topos e cachoeiras descendo montanha abaixo, para deleite daqueles que se aventuram a subir 9 quilómetros. Era meu consolo.
A certa altura encontrei o casal de Madri que nos dera carona no parque em Ushuaia, e a mulher, já cerca de seus 60 anos, ao perguntar se eu ia até o mirador, me disse para ter cuidado mais acima, pois havia um ponto onde ventava muito, ao lado de um precipício.
Eu poderia ter dormido sem aquela. Eu já sou cagoninha com cair no chão, imagine o meu pavor quando pensava em cair precipício abaixo! Me veio uma ansiedade de ver logo onde estava a parte com tanto vento, e esperava que a mulher estivesse exagerando.
Ela não estava.
Depois de muito esforço cheguei à parte onde o vento faz a curva. Em alguns pontos tive que parar de caminhar e fixar bem meus pés no chão, porque se seguisse caminhando era capaz que o vento me levasse a um lugar sem minha permissão.
| Foto meramente ilustrativa :P |
Logo vi um casal de alemães na minha frente, com um bebê nas costas. A mãe carregava o bebê e a ouvi dizendo carinhosamente : "Augen zu... und schlafen..." (Olhos fechados... e dormir). O bebê, que devia ter pouco mais de um ano, não dava nem um pio.
Eu já conhecia esse hábitos de alemães de levar crianças pra fazer montanhismo. O casal parecia bem tranquilo mesmo com o vento, então pensei que talvez o meu pavor não tivesse tanta razão de ser. Me acalmei, concentrei, orei e passei por aquele ponto sem cair no precipício.
Essa segunda caminhada levei 3 horas e meia para completar. Fui devagar porque me doía as costas e a subida foi um pouco puxada pra mim.
Chegamos ao local onde íamos acampar e montamos a barraca. Nada de banho, pois só havia a água congelante do rio e nosso gás não daria para esquentar água para todos os dias. Montamos a barraca e logo deitamos quentinhos nos sacos de dormir, onde descansamos até a fome bater.
Eu queria me ver livre das latas, então na nossa primeira refeição fizemos um arroz com lentilhas, que ficou uma delícia.
Dormimos às 9 da noite, pois no dia seguinte queríamos acordar cedinho para ver o nascer do sol nas Torres, que estavam a 45 minutos (de subida, para mim 1 hora e pouco) do acampamento.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Total de Gastos das semanas na Argentina
Ontem pegamos um ônibus de Río Grande (AR) até Puerto Natales (Chile). A passagem custou 150 pesos e levou pouco menos de 12 horas. O ônibus não parou em lugar algum a não ser na balsa que atravessa o estreiro de Magalhães e na fronteira, assim, não pudemos parar para comer. No ônibus há uma pessoa que serve café ou chá e sanduíche (de café da manhã, por volta das 10 horas) e suco e um bolinho tipo bebezinho (às 3 da tarde). Tivemos que deixar frutas e legumes na fronteira pois é proibido entrar no Chile com essas coisas, devido ao controle de pragas. Assim, eu tinha duas barrinhas de cereal, meio saco de pão de fôrma integral e um pacote de biscoitos de aveia, que dividi com Mathieu. Chegamos em Puerto Natales às 9 da noite verdes de fome.
Dormi boa parte da viagem, já que chovia e a paisagem não me parecia interessante. Antes de dormir, no entanto, fiz minha contabilidade dos dias 17/03 a 4/4, período em que estive na Argentina (Buenos Aires e Patagônia Argentina). Aqui compartilho a quem possa interessar.
Total em pesos: 2.902,25, desses, 817,50 em roupas (gorro, luvas, polainas, tênis de trekking, etc)
No blog não dá pra anexar arquivo, então copiei a tabela que fiz no excel. Por algum motivo as colunas saíram tortas, mas coloquei cada coluna de uma cor pra ficar mais fácil de entender.
De qualquer maneira, fica o arquivo para visualização no scribd.
Gastos de 18 dias (Buenos Aires e Patagônia Argentina)
Em comida estão as compras de supermercado (só comi uma noite em restaurante).
Em Transporte está taxi metrô, ônibus, trem e aluguel de carro
Em hospedagem estão os hostels em Puerto Madryn, Puerto Piramides, Río Grande e Ushuaia
Em Turismo está visita à Casa de Ópera e passeio de Barco
Em Extras estão roupas, guarda volumes e qualquer outra coisa que não coloquei nas categorias anteriores
Dormi boa parte da viagem, já que chovia e a paisagem não me parecia interessante. Antes de dormir, no entanto, fiz minha contabilidade dos dias 17/03 a 4/4, período em que estive na Argentina (Buenos Aires e Patagônia Argentina). Aqui compartilho a quem possa interessar.
Total em pesos: 2.902,25, desses, 817,50 em roupas (gorro, luvas, polainas, tênis de trekking, etc)
Total em reais: 1.151, desses 325,24 em roupas
No blog não dá pra anexar arquivo, então copiei a tabela que fiz no excel. Por algum motivo as colunas saíram tortas, mas coloquei cada coluna de uma cor pra ficar mais fácil de entender.
De qualquer maneira, fica o arquivo para visualização no scribd.
Gastos de 18 dias (Buenos Aires e Patagônia Argentina)
Em comida estão as compras de supermercado (só comi uma noite em restaurante).
Em Transporte está taxi metrô, ônibus, trem e aluguel de carro
Em hospedagem estão os hostels em Puerto Madryn, Puerto Piramides, Río Grande e Ushuaia
Em Turismo está visita à Casa de Ópera e passeio de Barco
Em Extras estão roupas, guarda volumes e qualquer outra coisa que não coloquei nas categorias anteriores
| Data | Comida | Transporte | Hospedagem | Turismo | Extra | |||||||||||||||||||||
| 17/03/2011 | 2,35 | |||||||||||||||||||||||||
| 18/03/2011 | 11,7 | 2,2 | ||||||||||||||||||||||||
| 19/03/2011 | 89 | 4,4 | 60 | |||||||||||||||||||||||
| 20/03/2011 | 9 | 485 | ||||||||||||||||||||||||
| 21/03/2011 | 48 | 17 | ||||||||||||||||||||||||
| 22/03/2011 | 6 | 45 | 15 | |||||||||||||||||||||||
| 23/03/2011 | ||||||||||||||||||||||||||
| 24/03/2011 | 43,5 | 100 | ||||||||||||||||||||||||
| 25/03/2011 | 52 | |||||||||||||||||||||||||
| 26/03/2011 | 17,5 | 291 | 74,5 | |||||||||||||||||||||||
| 27/03/2011 | 25 | 70 | ||||||||||||||||||||||||
| 28/03/2011 | 83,7 | 70 | 170 | |||||||||||||||||||||||
| 29/03/2011 | 42,27 | 250 | 88 | |||||||||||||||||||||||
| 30/03/2011 | 14,89 | 207 | ||||||||||||||||||||||||
| 31/03/2011 | 37,5 | |||||||||||||||||||||||||
| 01/04/2011 | 78,74 | 10 | ||||||||||||||||||||||||
| 02/04/2011 | 4 | 70 | ||||||||||||||||||||||||
| 03/04/2011 | 66 | 70 | ||||||||||||||||||||||||
| 04/04/2011 | 15 | 150 | 7 | |||||||||||||||||||||||
| TOTAL | 643,8 | 536,95 | 605 | 277 | 839,5 |
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Não sei quem teve a brilhante idéia de nomear essa província argentina de Tierra Del Fuego. Vi neve, chuva e muito muito muito vento, mas fogo, só na cozinha.
Estar viajando por aqui pegando carona tem sido um teste de paciência e resistência. Em geral conseguimos carona sem ter de esperar mais de uma hora e tivemos muita sorte de termos pegado carona com pessoas bacanas.
Esse final de semana, no entanto, a espera foi um pouco mais longa.
Saímos de Ushuaia na manhã de sábado e esperamos nada mais que 20 minutos na saída da cidade (que, por sinal, tem uns quadros horrorosos na entrada).
Um casal com uma filha de seus 7 anos nos levou até Tolhuin, cidade conhecida como o Coração da Patagônia. Por algum motivo geológico a terra pulsa, como tremores mínimos, que as pessoas não sentem mas que se pode notar se você coloca um objeto sobre uma mesa, pois em algumas horas o objeto está em algum outro ponto desta.
Descemos num posto de gasolina, comemos alguma coisa e fomos para a beira da estrada esperar que alguém nos levasse até a fronteira com o Chile, pois nosso destino era Punta Arenas.
Fazia um pouco de frio, mas eu estava bem agasalhada. O agasalho não protege, porém, da impaciência, e depois de uma hora e meia sem que os carros que passavam nem nos dessem bola, fui ficando desanimada e tive vontade de dormir em Tolhuin.
| Hacendo dedos en Tolhuin |
Mathieu é uma boa companhia e tem sido ótimo viajar com ele. Na semana anterior, quando ficamos duas horas esperando na fronteira do Chile, ele pensou em voltar a Rio Gallegos para passar a noite, pois havia perdido as esperanças de conseguir uma carona naquele dia. O meu conhecido otimismo nos manteve na fronteira por mais algum tempo, até que o Honda nos levasse. Dessa vez foi a vez dele me pôr pra cima e resgatar meu otimismo.
Eu já estava escutando música, que geralmente me acalma, mas passadas as duas horas ao relento nem João Gilberto me acalmava mais. Ele começou a pular pra se aquecer e a fazer graça, e entrei na dele. Ele me ensinou algumas coisas em francês (o que nos rendeu boas gargalhadas, pois,segundo ele, meu sotaque é muito puxado, e sempre adoto uma postura chic quando me ponho a falar qualquer coisa em francês). Ele pegou o violão e começou a inventar um reggaeton (que é tipo funk daqui), e nos distraímos até que o caminhoneiro Hugo nos levasse até Rio Grande.
Hugo seguiria até depois da fronteira, mas decidimos não ir com ele porque iríamos chegar tarde no Chile, não tínhamos pesos chilenos e nos preocupamos em demorar pra conseguir uma carona da fronteira até Punta Arenas. Assim, dormimos na incrível cidade de Rio Grande.
| O patriotismo riograndense |
Rio Grande é a pior cidade onde estive até agora, mas a cidade me deseja. No domingo saímos às 11 horas do albergue e caminhamos por uns 45 minutos até a saída da cidade. Lá, onde ventava como nunca vi antes, ficamos esperando por quase 4 horas.
Eu estava com uma jaqueta e um casaco de couro, e no corpo não sentia frio. Mas o meu rosto parecia ser cortado pelo vento, que – sem brincadeira- jogava meu corpo (com a mochila de seus 1 quilos) prum lado e pro outro enquanto eu caminhava. O jeito foi colocar o cachecol ao redor da minha cabeça, cobrindo meu rosto, deixando só meus olhos (protegidos do vento pelos óculos) de fora.
Não poder mostrar meu sorriso para os motoristas deve ter sido o motivo de não termos conseguido carona nenhuma. Vários motoristas passaram e fizeram sinais com as mãos, indicando que ficariam na cidade (estamos aprendendo a interpretar sinais de motoristas), e uma loirinha jovem adulta sentada no banco de passageiro fez um “não não” com as mãos, rindo da nossa cara, o que fez que eu mostrasse um dedo que eu há mais de década não mostrava a ninguém. Ah, tem dó. 3 horas no vento e ter que aturar quieta desrespeito daquela boluda? Não, não. A reação foi imediata e do fundo do coração (se é que do coração pode sair uma coisa dessas).
Assumo que fomos um pouco boludos de não termos planejado nossas caronas. Domingo definitivamente não é dia de pegar carona, porque há menos movimento e quase nenhum caminhão. O jeito foi voltar à amada Rio Grande.
Ficamos algumas horas num posto nos aquecendo, comemos, e tivemos o grande prazer de encontrar um casal ítalo-português que estava no mesmo albergue que nós em Ushuaia. Máximo e Margarida tinham acabado de chegar de Ushuaia, conversaram um pouco conosco e do posto mesmo (que não era na saída da cidade) resolveram tentar carona pra Punta Arenas. Nos despedimos e em 5 minutos vimos os dois entrando num carro.
Nós estávamos fadados a agüentar mais algumas horas de vento naquela cidade. Se Río Grande fosse uma cidade interessante, o vento seria apenas um inconveniente, mas a cidade é um saco, cara, não tem nada pra fazer e ainda por cima em cada esquina tem uma placa ou um carro com a frase “Las Malvinas son Argentinas”, o que é engraçado e cansa um pouco.
Voltamos ao mesmo albergue (o único que há na cidade, aparentemente), e decidimos compensar os infortúnios do dia com o prazer do paladar.
Eu no posto já havia devorado um hambúrguer com presunto e ovo, e para aquela noite compramos duas garrafas de vinho (continuo sem comer doce, pela minha promessa). Como não beber não foi promessa, apenas mudança de hábito, decidi abrir uma exceção e bebi uma garrafa de vinho sozinha. Não tive ressaca (pois bebi água enquanto bebia vinho), mas meu corpo obviamente não gostou da mistureba de ontem.
sábado, 2 de abril de 2011
Parque Nacinal Tierra del Fuego
A minha felicidade de ter encontrado o Ipod deve ter sido tanta que alterou repentinamente o clima e como por milagre a sexta amanheceu sem nuvens e sem tanto frio.
Era nosso último dia em Ushuaia e foi ideal para irmos ao Parque Nacional, parada quase obrigatória para quem vem a Ushuaia. Explico o quase:
Aqui tudo se cobra. Algum argentino boludo teve a idéia brilhante de cobrar 70 pesos de ônibus para os 12 quilômetros até o Parque (70 pesos pagamos para 214 quilometros de Rio Grande a Ushuaia). Assim, os viajantes que não têm carro são praticamente obrigados a pagar os 70 para ir ao Parque, além da taxa de entrada, que não é barata.
O recepcionista do turno da manhã do Refugio del Mochilero, nosso albergue, é carioca. Carioca que não gosta de calor e veio morar no fim do mundo. Carioca esse que mora em Ushuaia à 12 anos e tem um espanhol de doer.
Bom, felizmente ele falava português comigo e lhe perguntei onde era melhor esperarmos para pegar carona ao parque.
Havíamos decidido ir de carona porque os ônibus saem às 9 da manhã e Mathieu tinha que buscar dinheiro nos correios às 9 da manhã daquele dia (perdera seu cartão de crédito e sua mãe lhe madnou pela Western Union). Foi sorte.
Luís (o carioca) nos explicou que ônibus pegar, e depois de perder o ponto e pegar um outro, descemos no início da estrada de terra que vai ao Parque e em menos de 20 minutos um inglês, Steve, residente em Ushuaia ha 5 anos, nos levantó.
Chegamos ao parque e para começar o trekking escolhemos a rota que começa na Bahia Enseada e que passa por outras baías. Foi um trekking de 3 horas, dificuldade média.Vi paisagens lindas de morrer, montanhas com neve e o mar embaixo, lagoas, riachos e uns coelhinhos muito fofos que meu amigo francês queria comer.
Acabamos a trilha e paramos no restaurante do acampamento para tomar algo quente. PAuei 15 pesos num chocolate quente e seguimos outras triilhas mais curtas, passamos por uma castoreira (mas não vimos castores), e andamos até o fim da Rota 3, rota essa que sai de Buenos Aires e acaba dentro do Parque.
Do fim da rota 3 pegamos carona até o camping dentro do parque com um casal de espanhóis e depois de 20 minutos com jovens residentes de Ushuaia (uma das meninas do carro se chamava Malvina: o patriotismo argentino desconhece o bom gosto).
À noite, com o pessoal do albergue (os holandeses, uma israelita, um brasileiro e alguns argentinos) fomos ao Pub Irlandês Dublin, e depois pegamos uma balada (Nautikos), onde dancei reggaeton a noite toda.
Acordamos às 9, fizemos o checkout e pegamos um ônibus até a saída da cidade, de onde, então, pegamos carona por pouco mais de 100 km, até Tolhuin, onde esperamos em frente a um posto por duas horas até que Hugo, um caminhoneiro super gente boa nos trouxe até Río Grande.
Hoje (domingo) saímos do hostel e fomos pra saída da cidade pegar carona para Punta Arenas (Chile). Ficamos quase 4 horas nessa cidade onde não há muita coisa além de vento e tivemos que voltar pro mesmo albergue para pegar o ônibus amanhã cedo pra P. Arenas. Foi um dia perdido, mas a noite tentamos compensar com vinho :)
A promessa
Fui descendo a montanha pela estrada pavimentada porque tinha medo de cair. Eu sou extremamente medrosa quando se trata de quedas, por isso não voltei pelas mesmas trilhas que peguei quando subia com os meninos. Minha precaução valeu para a montanha, mas a meio metro da porta do hostel escorreguei na calçada molhada e caí de bunda no chão.
Foi uma caminhada agradável, apesar de muito fria. Tirei algumas fotos na descida e o restante do caminho fui me purificando (por ho’oponopono, um método havaiano de purificação). Quando já chegava perto da cidade, fiz uma promessa. O meu Ipod é tão importante pra mim, que resolvi, se o encontrasse, ficar 2 meses sem comer doce (salvo Nescau no leite).
De manhã eu havia levado sem perceber o Ipod com as roupas para me trocar no banheiro do hostel. Já tinha procurado nas minhas coisas e voltei ao banheiro onde vi que havia esquecido a camiseta com que dormira, e logo vi que tinha esquecido o Ipod junto, e alguém o pegara.
Saí para a caminhada convencida de que eu o perdera e que não iria mais reavê-lo. Havia procurado na bolsa, na mochila, na frasqueira, nos bolsos, em tudo, e não o encontrara.
Pelo caminho tentava me convencer de que eu não o teria deixado no banheiro, que o teria levado de volta ao quarto. Fiquei naquele diálogo interno de “tá tudo bem, você o guardou”, tentando me convencer de que estava dentro do shorts, dentro da mala.
Fiz a promessa e quando cheguei ao albergue não fui desesperada em busca do Ipod. Fiz um leite quente, fui ao banheiro, peguei o computador, procurei o Ipod no armário com cadeado. Nada.
Decidi, então, encontrá-lo, recitei em silêncio a Filosofia do Sucesso, me concentrei e fui procurar novamente. Comecei por minha bolsa (onde já havia procurado 3 vezes) e lá estava ele.
Agora até dia 31 de maio não vou comer doce. E tenho meu Ipod de volta :)
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